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23/março/2012

ACOLHIMENTO AO IDOSO EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA


Trabalho encomendado por Patrícia Ramos e Cristina Alves… “ACOLHIMENTO AO IDOSO EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA”, em março/2012.

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 5

1 O CONCEITO DE IDOSO 8
1.1 A imagem da velhice 8
1.2 O Processo de envelhecimento 8
1.3 Alterações fisiológicas no idoso 10
1.4 A conquista da população idosa pós constituição de 1988 e a Política nacional do Idoso 11

2 A INTER-RELAÇÃO IDOSO E FAMÍLIA E DAS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANENCIA NO BRASIL E A ASSISTENCIA SOCIAL 16
2.1 O papel ocupado pelo idoso na família 16
2.2 Análise sobre a trajetória do idoso até o asilo – os porquês das famílias sobre a institucionalização do seu Idoso 22

3 O IDOSO NAS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA 26
3.1 Histórico das Instituições de longa permanência 26
3.2 A intervenção do assistente social no processo de acolhimento ao idoso 30

CONSIDERAÇÕES FINAIS 33

REFERÊNCIAS 35

Exemplo do conteúdo:

INTRODUÇÃO
[…]
Este estudo tem por objetivo analisar como os efeitos da reforma do Estado brasileiro tem afetado a vida dos idosos. Efeitos esses que estão diretamente relacionados com a qualidade de vida na velhice e com os processos de asilamento deste segmento populacional. Pretende-se conhecer a questão, estudar os fatores determinantes para inserção do idoso em uma Instituição de acolhimento e suscitar a reflexão e novos debates sobre a maior valorização do idoso e de sua qualidade de vida, mesmo que este esteja inserido em uma Instituição asilar, e assinalar a importância da intervenção do assistente social nesse processo.
Para tanto, abordar-se-á temas como: a imagem da velhice, o envelhecimento na sociedade Brasileira, as novas configurações familiares e o espaço social do idoso, a conquista da população idosa pós constituição de 1988, a figura negativa das instituições de longa permanência no Brasil, a intervenção do assistente social no processo de acolhimento ao idoso e a política de acolhimento ao idoso, como medida de proteção.
[…]
1 O CONCEITO DE IDOSO
[…]
O envelhecimento pode ser analisado como um processo gradual, causador de alterações no funcionamento do organismo, tornando a pessoa cada vez menos capaz de se adaptar ao meio ambiente e, portanto, mais vulnerável às doenças.
1.1 A imagem da velhice
As alterações normais, não representativas de doenças, que ocorrem em todas as pessoas, à medida que envelhecem, não podemos confundir o que deveria ser encarado como normal e quais seriam alterações que poderiam significar doenças.
1.2 O Processo de envelhecimento
A velhice é construída paulatinamente, para o que concorrem variáveis biológicas e sociais, e muitos foram os autores que se preocuparam em explicar sua contribuição. Enquanto alguns estudos se dedicam ao entendimento do declínio das funções biológicas, outros debruçam-se sobre os padrões de comportamento adotados pela pessoa idosa. (FARINATTI, 2002, p. 129).
[..] existem algumas evidências de que no sistema imunológico estão associadas causas do envelhecimento. Essas alterações resultariam em aumento de certas doenças na população idosa. Elas se manifestam como se a função imunológica estivesse distorcida se tornando autodestrutiva. As células que não se dividem, e por isso são insubstituíveis, como os neurônios e as células do músculo cardíaco ficam mais vulneráveis às alterações do sistema imunológico. (FILHO, 1999, p. 8).
Com o envelhecimento, há uma limitação dos movimentos, os órgãos de percepção, particularmente a visão e a audição, perdem grande parte ou total acuidade. Todo o sistema físico fica comprometido. (ANGULO, 1980).
1.3 Alterações fisiológicas no idoso
“Não querer incomodar os outros” nas palavras dos próprios idosos. Há que se diferenciar o que é envelhecimento saudável e doença no envelhecimento”. (PINTO, 1999, p. 40). O poder público e a sociedade tem um importante papel em propiciar melhores condições de vida para a velhice, que é uma […]
1.4 A conquista da população idosa pós constituição de 1988 e a Política nacional do Idoso
A Constituição Federal de 1988, fruto de lutas e reivindicações populares pelo avanço da democracia, veio legitimar as políticas sociais no Brasil. A questão do idoso foi contemplada pela primeira vez em vários artigos da Constituição, fazendo com que nesta década houvesse uma maior organização da população idosa em Conselhos ou Associações.
A geração atual de idosos que estão incluídos nas políticas de Previdência, assistência social e de saúde passou por um processo político complexo de mudança, que foi do Estado liberal dos anos 1920 (FALEIROS, 1992) a um Estado de Proteção Restrita (1930-1945) sob o Getulismo, que incluiu no sistema protetor apenas os trabalhadores urbanos. Com a Constituição de 1988 passou a vigorar um sistema de proteção integral. (FALEIROS, 2007, p. 10).
Ainda sobre a Política Nacional do Idoso Teixeira (2008) explica que: “A PNI é uma legislação moderna que reforça a característica brasileira de legislação complexas ricas de proteção social, entretanto, com nítido caráter formal, legalista que não se expressa em ações efetivas de proteção”. (TEIXEIRA, 2008, p. 266-267). […] Assim, o Estado fica instituído como organização que fornece serviços sociais precarizados, focalizados e emergenciais para arrefecer os conflitos sociais e lutas de classe. A este respeito Iamamoto e Carvalho (2001) afirmam que: […]
Todavia, alguns autores, como Pestana (2008) possuem perspectivas otimistas:
Assim, essa realidade vem mudando, embora de forma lenta, através de políticas públicas como a Política Nacional de Saúde do Idoso, o Programa de Saúde do Idoso e o próprio Estatuto do Idoso, com propostas inovadoras como as universidades abertas da terceira idade, centros de convivência, grupos de atividades físicas e artísticas, suportes sociais como os centros-dia e casas-lar, com o objetivo principal de fortalecer o papel do idoso no que diz respeito à sua identidade, autonomia e cidadania. (PESTANA, 2008, p. 2).
[…] O impacto da política econômica acaba por atingir o “esquema de proteção social”. (BARROS JÚNIOR, 2009).
Torna-se evidente que o Brasil precisa definir, com urgência, uma conduta […]
2 A INTER-RELAÇÃO IDOSO E FAMÍLIA E DAS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANENCIA NO BRASIL E A ASSISTENCIA SOCIAL
Neste capítulo será apresentada uma exposição a respeito do aumento de contingente de idosos no Brasil e do papel que eles têm ocupado no seio de sua família.
Pretende-se discorrer sobre as mudanças e as dificuldades enfrentadas no processo de envelhecimento, demonstrando como estas transformações repercutem na vida do idoso e como elas acarretam no asilamento do mesmo.
2.1 O papel ocupado pelo idoso na família
Assim nos mostra a pesquisa do IPEA:
Em 1992, a população menor de 15 anos representava 33,8% do total de brasileiros. Em 2007, esse índice caiu para 25,2%. Enquanto a proporção de jovens diminui, a de idosos aumenta. Os idosos respondiam por 7,9%, em 1992, e cresceram para 10,6%. A Pnad mostra ainda que a fecundidade decresceu no Brasil, em todos os grupos sociais. Os brasileiros, dos pobres aos ricos, têm menos filhos. A pesquisa também confirma que quanto mais estuda uma mulher e quanto maior o seu salário, é menos provável que ela tenha filhos. O fator que aparenta ter mais impacto sobre a quantidade de filhos é a renda. Quanto maior ela é, menor é o número de crianças por família […]. (IPEA, 2008).
[…] Matheus Papaleo Netto (1999), professor da USP, concorda que essa diferença pode ser atribuída a fatores comportamentais, relacionados ao fato de as mulheres se exporem menos a fatores de risco.[…] As desvantagens sofridas pelas mulheres na sua vida profissional e familiar se acumulam ao longo da sua existência e se acentuam à medida que envelhecem. O nível das pensões é reflexo de carteiras incompletas e pouco qualificadas […]. A viuvez frequente […] acentua esse problema econômico que se alia, ao mesmo tempo ao problema de solidão das mulheres. (ATTIAS-DONFUT, 2004, p.92). […] claro que essa “melhor idade” pode ser mais facilmente vivida por classes sociais mais altas, onde há maiores oportunidades de qualidade de vida.
Há, ainda, diferenças na elaboração da percepção das pessoas sobre os velhos, de acordo com o papel que eles representam na sociedade. É claro que […] reforçando com isso a ideia de que as representações de cada período da vida dizem respeito mais as construções sociais da realidade do que à idade cronológica e física do indivíduo. (BARROS, 2004, p.17).[…] significativo número de lares em que a educação das crianças passa a ser responsabilidade dos avós. Pode-se perceber uma divergência de opiniões neste caso, que variam de acordo com a classe social que o idoso está inserido. Enquanto […] sem espaços de sociabilidade próprios. (BARROS, 2004, p.20).[…] em um momento em que mais precisa de segurança e tranquilidade para o atendimento de suas necessidades. (SANTOS, 2006). […] “A família lhes tira a voz. O aposentado tem que descansar, passear, nada de responsabilidades – totalmente infantilizado, na maioria das vezes. Sem dinheiro, sem palavra, isolado.” (BARROS, 1999, p.66). […] de um lado os avós que estão em um processo de retirada da vida social e, de outro, os netos que, aos poucos, assumem um lugar na vida social. Segundo Radcliffe-Brown “a relação implica a permissão de faltar o respeito”. (BARROS, 1999, p.16). […] as relações familiares. […] Assim, embora sob a bandeira e os lemas “lar doce lar” e do refúgio do homem moderno, a família é a arena onde os conflitos se apresentam. (BARROS, 1999, p.68-69).
Há, ainda, um grande número de idosos que sofrem com a ausência e, mais grave, com a negligência da família.
[,…] Papaléo Netto (1999) afirma que nem sempre foi assim, ou seja, antigamente, o prestígio das pessoas não caía de acordo com o aumento da idade. Ele expõe que nas sociedades primitivas os velhos eram objeto de veneração e respeito, sendo- […] 2.2 Análise sobre a trajetória do idoso até o asilo – os porquês das famílias sobre a institucionalização do seu Idoso
Como já visto, as sociedades modernas capitalistas, sobretudo as ocidentais, foram levadas a pensar de acordo com os princípios capitalistas, passando a valorizar somente quem produz do ponto de vista do capital ou possui condições de […] pelos familiares e, muitas vezes, são obrigados a morar em asilos ou albergues, forçados a viverem isolados, na solidão, longe de parentes e amigos. (DAVIM, 2004, p. 1).
A partir, especialmente, da década de 80, quando um boom de idosos acontece no Brasil, diferentes grupos de convivência para este contingente passam […] velhice e escrever a sua dissertação de mestrado “Do exílio da sociedade à sociedade do asilo”:
Eu estava chegando em casa e meus familiares assistiam ao filme “Um homem chamado cavalo”. Em uma determinada cena, uma mulher idosa era jogada pra fora da tenda porque não tinha nenhum guerreiro que fosse […] prejudicando quem não representa mais o paradigma de indivíduo proposto pela sociedade. (SOUZA, 2009, p. 1).
Contudo, para discutirmos estas motivações, precisamos refletir sobre a situação familiar do idoso no Brasil onde há efeitos cumulativos em eventos socioeconômicos, demográficos e de saúde. O estudo realizado por Davim (2004) […] salários mínimos e 5) por fim, o sistema de suporte formal que não tem sido capaz de substituir o papel da família. (DAVIM, 2004, p. 2).
Apesar da questão da institucionalização de idosos ainda continuar sendo um assunto delicado, visto que sua aceitação social como alternativa ainda não é […] psicológicas e econômicas, principalmente quando se trata de um casal ajustado e sem apoio de familiares […]. (PESTANA, 2008, p. 1). O fato da necessidade de maior inserção dos membros da família no […]
3 O IDOSO NAS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA
3.1 Histórico das Instituições de longa permanência
Groisman citado por Oliveira (2010, p. 2) relata que, no Brasil, a primeira instituição voltada para os cuidados da velhice foi o Asilo São Luiz para a Velhice Desamparada, em 1890, na Cidade do Rio de Janeiro/RJ. Esta Instituição asilar não
[…] privacidade e individualidade provoca a mortificação do EU, sendo acompanhada por novas regras e costumes impostos pela Instituição.
Segundo Goffman, todos nós temos uma “cultura aparente” fomentada pela convivência familiar, em que adquirimos hábitos e maneiras próprias de agir […] e, assim, menos recursos e atividades para os residentes, tornando-os com menos autonomia e capacidade para desempenhar as suas atividades de vida diária (AVD).
Nas instituições filantrópicas o sedentarismo é um fator marcante, o que contribui para que o idoso se torne dependente mais cedo, criando, dessa […] possuir uma certa dependência e consequentemente ser asilado por não ter quem cuide dele.
Segundo Barros (1999) as pessoas possuem diversas identidades que são acionadas de acordo com o momento em que vivem e com as possibilidades que […] vínculo afetivo entre si. Mantêm maior afeição aos funcionários do que aos seus semelhantes.
A manutenção rígida do cotidiano asilar em detrimento de estímulos à sociabilização entre os internos, a indisposição dos indivíduos, a condição […] Jordão Netto (1986) nos apresenta duas ideias a respeito desta resignação:
(… ) ou o idoso sente-se receoso em criticar a instituição por crer que isto poderá prejudicá-lo, de alguma forma, junto aos dirigentes; ou o fato de […] Segundo Pestana e Santos (2008), o fato de estar em um asilo é mais difícil para os homens do que para as mulheres, sendo mais críticos em relação à vida na Instituição. Por […] 3.2 A intervenção do assistente social no processo de acolhimento ao idoso […] A partir da revisão de literatura elaborada, percebe-se que os idosos recebem a notícia do asilamento com menos pesar, pois conseguem visualizar e compreender […] Ao invés de rejeitar o velho, devemos desmistificar os negativos conceitos vigentes e admitir o tesouro acumulado dentro dele no decorrer dos anos, a experiência; e mais do que isto, mas do que o passado, devemos auxiliá-lo a fazer parte do presente, garantindo-lhe qualidade de vida, e como diz Beauvoir, um porvir póstumo. Assim, o idoso, asilado ou não, deve ter efetivados todos os seus direitos inerentes à cidadania humana.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
[…]
ANGULO, M. S. Aspectos fisiológicos do envelhecimento.
ATTIAS-DONFUT, Claudine. Sexo e Envelhecimento.
ARROS JÚNIOR, Juarez Correia, Empreendedorismo, Trabalho e Qualidade de Vida na Terceira Idade.
DAVIM, Rejane, TORRES, Gilson, DANTAS, Suzana, LIMA, Vilma. Estudo com idosos de instituições asilares no município de Natal/RN: características socioeconômicas e de saúde. Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.12 no.3 Ribeirão Preto May/June 2004
FALEIROS, Vicente de Paula – Cidadania: os idosos e a garantia de seus direitos, Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na terceira idade – São Paulo: Editora Perseu Abramo, Edições SESCSP, 2007.
[…]
SOUZA, Jaime L. C.. Estudo avalia trajetória do idoso até o asilo. Universidade Federal do Pará. Pará, 2009. Disponível em: . Acesso em: 10 mar. 2012.
TEIXEIRA, S. Envelhecimento e Trabalho no tempo do Capital: implicações para a
proteção social no Brasil. São Paulo: Cortez, 2008.

Para ver este trabalho na íntegra, escreva para: monografias.tcc@gmail.com

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